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Os Pensamentos de um Lobisomem sobre Transformação

Thomas Jef­fer­son escreveu: “Temos medo do con­heci­do e do descon­heci­do. Essa é nos­sa vida diária, e, nis­so, não há esper­ança; por­tan­to, toda for­ma de filosofia, toda for­ma de con­ceito teológi­co, é mera­mente uma fuga da ver­dadeira real­i­dade do que é de fato. Todas as for­mas exte­ri­ores de mudança oca­sion­adas pelas guer­ras, rev­oluções, refor­mas, leis e ide­olo­gias fal­haram com­ple­ta­mente em mudar a natureza bási­ca do homem e, por­tan­to, a sociedade.”.

Esse era um homem que acred­i­ta­va em rev­oluções e na neces­si­dade de trans­for­mar o gov­er­no, alguém que lutou por isso, que se sac­ri­fi­cou por isso. Todavia, esse recon­hec­i­men­to hon­esto no fim de taman­hos esforços era o que não fun­ciona­va — e não pode­ria, de fato, fun­cionar, porque o gov­er­no, a rev­olução, os livros, as leis e uma cen­te­na de out­ros aparatos inven­ta­dos hoje não podem mudar a natureza bási­ca do ser humano. Por­tan­to, con­tin­u­amos como somos. E, desse modo, o mun­do con­tin­ua como é.

Muitos cristãos que con­heço, de for­ma nada sábia, enfa­ti­zaram os bene­fí­cios escat­ológi­cos e pós-morte do “nascer de novo”. Dizem-me que terei uma vida inter­mináv­el e eter­na de praz­er aceitáv­el em algum reino celes­tial, mais ade­qua­do para a Idade Média em ruas enfeitadas de ouro e uma péro­la gigante servin­do como por­ta de entra­da de min­ha man­são pes­soal.

Deixan­do de lado o fato de que, em com­para­ção com muitas pes­soas da história humana, já vivo como rei em min­ha casa bas­tante espaçosa, com min­ha habil­i­dade de via­jar grandes dis­tân­cias em um cur­to espaço de tem­po e com ali­men­to em far­tu­ra e prepara­do lit­eral­mente para mim no mun­do todo, a descrição da vida cristã após a morte é extrema­mente desin­ter­es­sante. E con­tin­ua sendo ver­dade o fato de que não ten­ho a intenção de viv­er uma vida espar­tana hoje na esper­ança de cam­pos elí­sios aman­hã, par­tic­u­lar­mente na ausên­cia de uma demon­stração conc­re­ta dos dados mostran­do o que estou com­pran­do e a que cus­to. Fran­ca­mente, quero o paga­men­to ago­ra. Quero saber que min­ha vida será mel­hor hoje.

O cris­tian­is­mo prom­ete uma vida agradáv­el cheia de afa­bil­i­dades e, até mes­mo, depen­den­do das con­vicções teológ­i­cas, se estas apare­cem ou não na tele­visão, uma vida cheia de ale­grias, e a maior casa, e uma adoráv­el esposa, e um car­ro caro, e ouro e péro­las e fun­dos de pen­são. No entan­to, os cristãos com mais con­vicção pare­cem aceitar essas coisas como algo que beira as raias do embaraço, se o tiverem, e ver a ausên­cia delas como uma con­veniên­cia ou, até mes­mo, uma vir­tude. Não obstante, todas essas coisas são passíveis de ser alcançadas fora da filosofia deles e, na ver­dade, são mais fáceis de ser con­seguidas com a ausên­cia da éti­ca cristã. E, assim, retor­namos à min­ha neces­si­dade pre­mente, o dese­jo de trans­for­mação, a paixão ardente para ter uma natureza mais maleáv­el e menos destru­ti­va.

Obvi­a­mente, os cristãos dizem que podem aju­dar em relação a isso. Ou Deus pode. Todavia, olho para a vida deles e vejo muitos e muitos zumbis. Isto quer diz­er, eles afir­mam ter encon­tra­do uma nova vida, revig­o­rante e abun­dante, mas vejo pou­cas evidên­cias de que tudo não pas­sa de con­ver­sa mole. Burlam a declar­ação do impos­to de ren­da, pegam o cam­in­ho mais cur­to e fácil no tra­bal­ho e gri­tam com os fil­hos. Não cumprem os votos mat­ri­mo­ni­ais às sex­tas-feiras à noite, e aper­tam o nó da gra­va­ta e esti­cam a camisa aos domin­gos de man­hã. Desprezam um mendi­go a cam­in­ho de uma mar­cha em favor da justiça social ou igno­ram a mul­her que foi estupra­da, choran­do na calça­da, enquan­to lev­an­tam os car­tazes con­tra o abor­to. São bem agradáveis, talvez, mas foram ver­dadeira­mente trans­for­ma­dos, se com­para­do ao que eram antes? Acho que não. Não mais que uma atriz­in­ha de Hol­ly­wood é trans­for­ma­da nas horas gas­tas com os pen­tea­d­os e a maquiagem.

Digo tudo isso para apre­sen­tar um pon­to muito sim­ples: se isso é vida abun­dante, não a quero. Se isso é o que sig­nifi­ca ser “cristão”, então, cer­ta­mente não quero ser chama­do por esse nome. Se ser cristão quer diz­er ape­nas pureza doutri­nal —acred­i­tar que essa, aque­la e aque­la out­ra proposição sobre Deus é ver­dadeira —, então não vejo o menor sen­ti­do nis­so. Se a crença — sem levar em con­sid­er­ação o com­por­ta­men­to ou, até mes­mo, ape­sar de nos­sas ações —leva-nos para o céu, então Satanás estará no céu jun­to com pas­tores, teól­o­gos, mis­sionários e san­tos. Pois a teolo­gia de Satanás deve ser de primeirís­si­ma como as dos estu­diosos cristãos mais eru­di­tos —pois ele real­mente con­hece a Deus. E as mar­cas ao lon­go do cam­in­ho que Cristo deu para recon­hecer “seus ver­dadeiros seguidores” pare­cem ter muito pouco — de fato, quase nada — a ver com as crenças das pes­soas.

Cristo esta­va muitís­si­mo pre­ocu­pa­do com as ações das pes­soas. Os cristãos dizem: — Um ver­dadeiro dis­cípu­lo de Jesus acred­i­ta que ele é Deus e que mor­reu por nos­sos peca­dos. Mas o Cristo que afir­mam seguir disse que seus ver­dadeiros dis­cípu­los são aque­les que pegam sua cruz e o seguem, que obe­de­cem a seus ensi­na­men­tos, que “dão fru­to”, que amam uns aos out­ros, que deix­am tudo, até mes­mo a família, para segui-lo da maneira que ele exige. Parece que muitos cristãos descon­hecem a própria definição de Jesus, e eles ficam sat­is­feitos de que, ape­nas por assi­nar o nome em algum cre­do, estão de algu­ma for­ma mist­i­ca­mente asso­ci­a­dos com Cristo. Essa é razão por que digo, com Mahat­ma Gand­hi: — Gos­to do seu Cristo, mas não gos­to de seus cristãos. Talvez, se fos­sem um pouco mais semel­hantes a Cristo, tam­bém gostasse deles.

Tre­cho extraí­do de:
A Noite do Cristão Mor­to-Vivo
Matt Mikalatos

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