Crônicast #09 – Muito antes de você
14 de setembro de 2013
A Guerra da Graça
14 de outubro de 2013

Legalismo ou Amor?

Se você está lutan­do com o legal­is­mo, não lute aban­do­nan­do os seus bons momen­tos. Esta é uma boa advertên­cia que eu me lem­bro de ter ouvi­do cer­ta vez de um pas­tor. Em out­ras palavras, existe uma ten­tação de pre­sumir que com­bat­er o legal­is­mo é cor­rer das boas coisas, quer seja a leitu­ra da Bíblia ou atos de amor, porque nos enganamos ao achar que elas fazem parte do prob­le­ma. Todos estão sujeitos a essa ten­tação. Somos bom­bardea­d­os diari­a­mente com várias escol­has. O que com­er, o que vestir, o que assi­s­tir, onde estu­dar e tra­bal­har, com quem sair. Dessa for­ma se tor­na muito fácil con­fundir princí­pios com práti­cas. Uma con­fusão pode se for­mar na lin­ha entre real­mente viv­er para a glória de Deus, ou viv­er atre­la­do ao legal­is­mo. Mas pen­so que a dúvi­da começa com a definição do legal­is­mo.

O que é legal­is­mo. Legal­is­mo é perseguir boas obras com a intenção de con­seguir o favor divi­no. O pon­to é sal­var a si mes­mo. São boas obras sem a crença de que Deus nos jus­ti­fi­ca pela fé somente. John Piper expli­ca da seguinte for­ma: “A essên­cia do legal­is­mo é quan­do a fé não é o motor da obe­diên­cia”. Quan­do tra­bal­hamos ard­u­a­mente para Deus em vista de obter­mos seu favor, não esta­mos operan­do pela fé. Ao invés dis­so, esta­mos afir­man­do que deve­mos acres­cen­tar algu­ma coisa ao tra­bal­ho final­iza­do de Cristo na cruz. Seu tra­bal­ho não foi sufi­ciente, por­tan­to, deve­mos tra­bal­har para deixá-lo feliz – deve­mos tomar o tra­bal­ho em nos­sas próprias mãos para ser­mos aceitos por Deus.

Mas a Bíblia nos diz que somos jus­ti­fi­ca­dos pela graça através da fé somente, e não é um tra­bal­ho nos­so, mas um pre­sente gra­tu­ito de Deus. Nos­sa sal­vação não é, e nun­ca será, resul­ta­do de nos­sas obras: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” Efé­sios 2:8. Não há nada que pos­samos faz­er para gan­har o favor sal­vador de Deus. Se esta­mos em Cristo, nós TEMOS o seu favor, sem­pre!

Eu sei que quan­do sou ten­ta­do pro lado do legal­is­mo, é sim­ples­mente por ambição própria. Eu quero pegar meus bons atos e ficar des­fi­lan­do com eles para Deus e o mun­do. É por isso que Efé­sios 2:9 é tão impor­tante: “não por obras, para que ninguém se glo­rie”. O moti­vo pela qual a nos­sa sal­vação é gra­tui­ta, é para que ninguém fique por aí se achan­do. Nos­sa sal­vação não é no fim das con­tas acer­ca de nós, mas acer­ca de Deus. Deus faz o tra­bal­ho e Ele recebe todo o crédi­to por isso. O legal­ista quer faz­er o tra­bal­ho, mere­cer o favor e rece­ber a glória por isso.

O que não é legal­is­mo? Aqui é onde a con­fusão começa a se for­mar. Igualar a bus­ca pela san­ti­dade com o legal­is­mo pode causar um mun­do de prob­le­mas. Esse erro pode even­tual­mente levar à pro­jeção de um jul­ga­men­to sobre os out­ros ou a uma vida de licen­ciosi­dade. Mas perseguir a san­ti­dade e viv­er de for­ma legal­ista não é a mes­ma coisa. Legal­is­mo é uma questão do coração, não obe­diên­cia a Deus e amor rad­i­cal ao próx­i­mo. Legal­is­mo se dá quan­do ten­ta­mos mere­cer o favor de Deus, e não quan­do o seguimos porque fomos salvos pela graça.

Nova­mente Piper expli­ca: Veja bem, legal­is­mo não é sim­ples­mente a bus­ca pela lei. É a bus­ca da lei pelos motivos erra­dos – com algum out­ro propul­sor que não seja a fé. A lei de Deus DEVE ser bus­ca­da. O Fil­ho de Deus “con­de­nou o peca­do na carne, a fim de que as jus­tas exigên­cias da Lei fos­sem ple­na­mente sat­is­feitas em nós, que não vive­mos segun­do a carne, mas segun­do o Espíri­to.” Romanos 8:3b-4. Nós deve­mos bus­car o cumpri­men­to da lei – pelo Espíri­to. Vamos chamar essa boa bus­ca de “obe­diên­cia pela fé”.

Essa notí­cia é lib­er­ta­do­ra. Podemos bus­car a Jesus, amá-lo, apren­der sobre Deus, e podemos faz­er isso como um ato preenchi­do de obe­diên­cia pela fé. Quan­do acor­damos pela man­hã e nos pros­tramos deses­per­ada­mente per­ante Deus, é um ato que expres­sa a nos­sa neces­si­dade dele. Quan­do abri­mos as nos­sas Bíblias para ouvir a sua voz, nós o faze­mos não porque procu­ramos a sua aceitação, mas para andar­mos em sua com­pan­hia.

O que esta­mos real­mente perseguin­do? No começo do tex­to eu citei algu­mas das escol­has que encar­amos diari­a­mente por aí. Com certeza nós temos muitas. Mas por um aca­so algu­ma delas resume o que é seguir a Jesus – coisas como com­er ou não comi­da orgâni­ca ou vestir ou não calça jeans? Nós podemos gas­tar toneladas de ener­gia em várias ativi­dades, mas Deus nos chama para perseguir algo bem mais incrív­el, e de algu­ma for­ma, mais sim­ples. Ele nos chama para ser­mos san­tos: “Como fil­hos obe­di­entes, não se deix­em amoldar pelos maus dese­jos de out­ro­ra, quan­do vivi­am na ignorân­cia. Mas, assim como é san­to aque­le que os chamou, sejam san­tos vocês tam­bém em tudo o que fiz­erem, pois está escrito: ‘Sejam san­tos, porque eu sou san­to’.” 1 Pedro 1:14–16.

Assim como um fil­ho obe­dece a seu pai, nós somos chama­dos para ser­mos cri­anças obe­di­entes ao Pai celeste. Nós bus­camos a Deus porque “não foi por meio de coisas perecíveis como pra­ta ou ouro que nós fomos red­imi­dos da nos­sa maneira vazia de viv­er, trans­mi­ti­da por nos­sos antepas­sa­dos, mas pelo pre­cioso sangue de Cristo” 1 Pedro 1:18–19. A instrução de Pedro parece guer­ra: “este­jam com a mente prepara­da, pron­tos para agir; este­jam aler­tas e pon­ham toda a esper­ança na graça que será dada a vocês quan­do Jesus Cristo for rev­e­la­do.” 1 Pedro 1:13 – o que não é legal­is­mo, mas fé.

Com certeza deve­mos estar aten­tos aos peri­gos de se incli­nar para o legal­is­mo. Mas lem­bre­mo-nos que a bus­ca por Cristo, espe­cial­mente pela guer­ra con­tra o peca­do, não deve ser neg­li­gen­ci­a­da ape­nas porque nos­sos corações são ten­ta­dos pelo erro. Como podemos com­bat­er qual­quer ten­tação? Nós recor­damos o que Deus fez através de Cristo e o que ele nos prom­e­teu faz­er, que é somente pela sua graça, não por nos­sas obras’.

Outros episódios avulsos:

Outras postagens do site: