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O musi­cal “Os Mis­eráveis”, nar­ra uma história que se pas­sa na França, em ple­na época de rev­olução civ­il, e temos em Jean Val­jean nos­so per­son­agem prin­ci­pal. Após cumprir 19 anos de prisão, por ter rou­ba­do um pedaço de pão para ali­men­tar sua irmã, Val­jean é solto, mas car­rega sobre si o estig­ma de crim­i­noso, encon­tran­do difi­cul­dades para con­seguir um emprego e sobre­viv­er. Após rece­ber aju­da de um bis­po, Val­jean enx­er­ga uma chance de recomeço e desa­parece no mun­do, deixan­do assim de se apre­sen­tar peri­odica­mente aos ofi­ci­ais da lei, tor­nan­do-se nova­mente um crim­i­noso procu­ra­do.

Muitos anos se pas­sam e reen­con­tramos nos­so pro­tag­o­nista como prefeito de uma peque­na cidade e dono de uma fábri­ca de cos­tu­ra. Dessa for­ma ele aju­da a várias pes­soas com emprego e0007 miseraveis condição de vida, cuidan­do da cidade com hon­esti­dade e justiça. Tudo vai bem até que Javert, o ofi­cial respon­sáv­el por sua prisão chega à cidade. Ele o recon­hece, fazen­do com que Val­jean ten­ha que aban­donar tudo e viv­er nova­mente em fuga. Não vou mais falar da história do filme, pois vale muito a pena ser assis­ti­do. Belís­si­mas músi­cas e atu­ação dramáti­ca fazem você suar um pouquin­ho pelos olhos.

O roteiro da história em si já é uma aula de redenção e amor, uma men­sagem muito forte de cris­tian­is­mo em diver­sas fac­etas. Val­jean começa a história com amar­gu­ra e ódio, mas após rece­ber amor de um líder reli­gioso, ele sente a neces­si­dade de aju­dar a out­ros em igual ou pior situ­ação, mes­mo que para isso ele ten­ha que abrir mão de sua própria segu­rança. Ele chega a repen­sar isso durante sua fuga pelos anos, se escon­den­do e viven­do com medo, mas sem­pre que exigi­do, ele escol­he o cam­in­ho da mis­er­icór­dia, da bon­dade e do amor ao próx­i­mo, inclu­sive em relação ao seu perseguidor.

Mas creio que a grande lição do filme não está no pro­tag­o­nista, por mais que o exem­p­lo dele seja grandioso e dig­no de ser segui­do, mas com o antag­o­nista da história, o ofi­cial Javert. Esse homem cresceu como agente da justiça, e não con­hece nada além da letra da lei. Ele é cego para qual­quer out­ra pos­si­bil­i­dade, fazen­do com que as nor­mas de justiça sejam frias e insen­síveis. Seu méto­do de apli­cação da lei prende o sujeito em sua anti­ga vida, sem a pos­si­bil­i­dade de regen­er­ação e super­ação. Isso fica evi­dente em sua bus­ca implacáv­el por Val­jean. Por causa de uma tec­ni­cal­i­dade das nor­mas de soltura do pre­so, ele quer pren­der Val­jean a todo cus­to, mes­mo que isso sig­nifique destru­ir a vida de dezenas de pes­soas que depen­dem dele.

Jesus veio ensi­nar que o cumpri­men­to da lei está total­mente atre­la­do no amor. É impos­sív­el obe­de­cer a lei à risca sem amar a Deus e ao próx­i­mo. O sac­ri­fí­cio dele na cruz é onde a paz e a justiça se bei­jam. Mas assim como Javert, muitas vezes nós prefe­r­i­mos aplicar a lei de for­ma rad­i­cal, seca, em vez de ten­tar­mos enten­der o obje­ti­vo daque­la lei. A ver­dadeira justiça é aque­la que restau­ra, que reed­i­fi­ca, e não a que sim­ples­mente pune cega­mente.

Enten­der isso é enten­der o que é Evan­gel­ho. É enten­der porque a lei se resume a amar a Deus aci­ma de todas as coisas e ao próx­i­mo como a si mes­mo. Ou nas palavras da letra de uma das músi­cas finais do filme: “Amar out­ra pes­soa é ver a face de Deus!”

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