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ItunesHor­ton é um ele­fante cheio de imag­i­nação que mora na fic­tí­cia flo­res­ta de Nool. Cer­to dia ele ouve um ruí­do vin­do de um grão de poeira, que voa­va per­to de seus ouvi­dos. A princí­pio, o ele­fante pen­sa na pos­si­bil­i­dade de haver pes­soas pequen­i­nas den­tro do grão, ten­tan­do chamar sua atenção. Ele sus­sur­ra, fala, gri­ta até que con­segue se comu­nicar com o prefeito da cidade de Quem­lân­dia, que está alo­ja­da den­tro do grão de poeira. A cidade está prestes a ser destruí­da, e só o prefeito acred­i­ta nis­so.

Hor­ton pre­cisa provar que é real e pode ajudá-los a evi­tar a imi­nente destru­ição de Quem­lân­dia, além de ten­tar con­vencer os out­ros ani­mais da flo­res­ta que ele não é louco. Enquan­to isso, o prefeito pre­cisa aler­tar a pop­u­lação do peri­go, o que se tor­na ain­da mais difí­cil após ele diz­er que existe um ele­fante no céu que quer ajudá-los. A história então se desen­volve com o ele­fante partin­do em bus­ca de um local seguro para alo­jar o grão e man­ter todos a sal­vo, mes­mo que para isso ele ten­ha que cair no desagra­do da Can­gu­ru, a chefe dos ani­mais da flo­res­ta, que acred­i­ta que ele está enve­ne­nan­do a mente das cri­anças com essa história malu­ca. Essa é a nar­ra­ti­va do filme de ani­mação “Hor­ton e o Mun­do dos Quem”.

Você já se encon­trou em uma situ­ação onde a sua palavra esta­va em jogo? Seu teste­munho foi descar­ta­do facil­mente, pois alguém tin­ha argu­men­tos lógi­cos que te des­men­ti­am, ape­sar de que os0002 horton argu­men­tos dela nem eram tão críveis assim? As pes­soas cos­tu­mam colo­car lóg­i­ca e imag­i­nação em lados sep­a­ra­dos, já notou isso? E essa não é nec­es­sari­a­mente uma regra. Pelo con­trário, as vezes pode ser um prob­le­ma.

Ao mes­mo tem­po em que hoje a cul­tura propa­ga cada vez mais histórias fan­ta­siosas e fic­tí­cias para o entreten­i­men­to, a fé ape­nas em fatos con­cre­tos ain­da parece  tomar parte na cabeça das pes­soas. Da mes­ma for­ma como a Can­gu­ru con­de­na­va o Hor­ton por incen­ti­var as cri­anças da flo­res­ta a usarem a imag­i­nação, parece que a sociedade tem descar­ta­do a habil­i­dade da imag­i­nação e con­fi­a­do demais em teste­munhos mais fac­tu­ais.

E é jus­ta­mente essa fé cega em evidên­cias, que muitas vezes pode se mostrar equiv­o­ca­da. Isso pode ser facil­mente obser­va­do nas redes soci­ais. Alguém pos­ta algu­ma notí­cia, ou foto, ou um supos­to estu­do de algu­ma uni­ver­si­dade, ou ain­da cita deter­mi­na­da autori­dade para val­i­dar o assun­to, e mes­mo sem checar os fatos, as pes­soas acred­i­tam facil­mente. Esse parece ser o dile­ma de Hor­ton. Todos os ani­mais da flo­res­ta acred­i­tam na Can­gu­ru, mes­mo sem checar a veraci­dade do dis­cur­so dela.

A imag­i­nação é impor­tante, pois ela aju­da a mente a desen­volver a capaci­dade de abstração, de ir além daqui­lo que está visív­el. E den­tro dessa nos­sa pro­pos­ta de ser­mos mais críti­cos naqui­lo que assis­ti­mos, lemos ou ouvi­mos, a imag­i­nação é uma fer­ra­men­ta tremen­da. Quan­do deix­am­os nos­sa mente aceitar ape­nas o que já está pron­to, perdemos a habil­i­dade de con­stru­ir nos­so próprio pen­sa­men­to, e assim, nos tor­namos escravos do pen­sa­men­to do out­ro, seja este um noti­ciário, uma aula e tam­bém nos­so entreten­i­men­to.

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