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5 Razões por que a Geração Y não está deixando a Igreja

 

Todos nós já ouvi­mos estatís­ti­cas sobre jovens da Ger­ação Y (Mil­len­ni­als) deixan­do a igre­ja. Sabe­mos que muitos deles saem após o ensi­no médio ou a fac­ul­dade, e não sabe­mos se vão retornar. Sabe­mos que eles ten­dem a ver a igre­ja como jul­gado­ra, políti­ca demais, com obsessão por regras e peca­dos, e geral­mente fora de sin­to­nia com a ciên­cia e a cul­tura mod­er­na.

Demor­ar-se em tendên­cias pode nos deixar bas­tante desmo­ti­va­dos, porque elas são mais do que ape­nas estatís­ti­cas. Cada número tem um nome e um ros­to – alguns dos quais con­hece­mos pes­soal­mente. Como alguém envolvi­do com alunos uni­ver­sitários, min­ha mente e meu coração com fre­quên­cia ficam pesa­dos com as histórias daque­les que foram emb­o­ra.

Mas essas não são as úni­cas histórias. Nem todos os jovens da ger­ação Y deixaram a igre­ja. Muitos ficaram. E em muitas igre­jas, jovens estão chegan­do, ou retor­nan­do, em números sig­ni­fica­tivos. Aqui estão cin­co razões por que jovens da Ger­ação Y não estão deixan­do a igre­ja (e um pouco sobre os tipos de igre­ja que não estão deixan­do).

 

1 – Eles querem mais de Jesus Cristo 

Jovens da Ger­ação Y amam Jesus. Eles amam a humil­hação de Sua encar­nação. Amam a sabedo­ria de Seus ensi­nos. Amam Sua paciên­cia com pes­soas obsti­nadas como Pedro. Amam Seu autossac­ri­fí­cio real­iza­do na Cruz. Amam a esper­ança da ressur­reição. Eles vibram com o amor que Ele ofer­ece aos excluí­dos como a mul­her samar­i­tana e Zaqueu. Eles ado­ram ver que Jesus não foi cor­rompi­do por facções políti­cas, e ofer­e­ceu uma alter­na­ti­va reden­ti­va para se rela­cionar com os poderes dom­i­nantes. Eles amam Jesus e querem mais dEle, em toda a Sua glória intac­ta e sem enfeites.

Não lhes dê um Jesus meloso e diluí­do. Dê-lhes Jesus com todas as Suas declar­ações difí­ceis. Dê-lhes Jesus em todas as nuances e com­plex­i­dades de Sua iden­ti­dade como Deus-homem. Claro, alguns dirão que podem con­hecer Jesus fora da “religião insti­tu­cional­iza­da”, mas muitos estão perceben­do que as igre­jas que procla­mam e cel­e­bram Jesus de maneira apaixon­a­da ofer­e­cem maneiras de con­hecê-Lo que nen­hum indi­ví­duo pode igualar por con­ta própria. Jesus é o cen­tro da vida de sua igre­ja? Ele é o tema de cada ser­mão? É o foco de sua mis­são? O praz­er de sua ado­ração? Foque-se em Cristo, e os jovens da Ger­ação Y lhe agrade­cerão.

 

2 – Eles querem ler a Bíblia inteira 

Esta é uma ger­ação que cresceu em meio à super­fi­cial­i­dade e à val­oriza­ção daqui­lo que é mais fácil. Des­de as class­es infan­tis, eles ouvem uma peque­na vari­ação de histórias bíbli­cas – se é que real­mente ouvem as histórias bíbli­cas. Essa real­i­dade não muda quan­do eles se tor­nam adul­tos. Eles crescem ouvin­do pre­gadores e pro­fes­sores falarem ape­nas sobre suas pas­sagens favoritas e sobre suas histórias bíbli­cas inspi­rado­ras favoritas. Eles percebem como evi­ta­mos pas­sagens difí­ceis e com­plexas e até mes­mo livros inteiros da Bíblia. É bem prováv­el que a maio­r­ia dos jovens cristãos da Ger­ação Y nun­ca ouvi­ram uma série de pre­gações sobre um dos Pro­fe­tas Menores. Ou uma expli­cação con­vin­cente sobre por que usamos roupas feitas com teci­dos difer­entes, cor­ta­mos o cabe­lo dos lados da cabeça e aparamos as pon­tas da bar­ba (práti­cas proibidas pelo Pen­ta­teu­co). Ou sobre como deve­mos ler o Anti­go Tes­ta­men­to à luz de Cristo.

A maior parte da Bíblia per­manece fecha­da aos nos­sos ouvintes, porque não a abri­mos diante deles. Eles estão fam­intos pela Palavra! Pare de lhes dar pap­in­ha e lhes dê ali­men­to sóli­do! Não deixe de lado as pas­sagens difí­ceis. Explique a matança dos amale­quitas. Mostre a importân­cia das leis do livro de Lev­íti­co. Fale sobre o ensi­no bíbli­co a respeito do infer­no e da ira de Deus. Ess­es temas são abor­da­dos no mun­do sec­u­lar em uni­ver­si­dades e cafés, em revis­tas e doc­u­men­tários, mas quase nun­ca de uma per­spec­ti­va bíbli­ca. Pregue e ensine toda a Bíblia, para que as pes­soas con­heçam a Bíblia inteira. Os jovens da Ger­ação Y têm fome por desco­brir o alicerce com­ple­to de sua fé. Faça isso, e eles vão agrade­cer.

 

3 – Eles anseiam por uma comu­nidade em que as ger­ações inter­agem

A con­gre­gação que diri­jo está local­iza­da do out­ro lado da rua de um grande cam­pus uni­ver­sitário. Entre os nos­sos fre­quen­ta­dores, 60% são estu­dantes uni­ver­sitários, e cer­ca de 80% têm entre 13 e 29 anos. Isso sig­nifi­ca que temos difi­cul­dade em pagar por algu­mas coisas. Isso tam­bém sig­nifi­ca que alguns nos chamari­am de “igre­ja de estu­dantes”. Mas não somos. Resis­ti­mos a isso, porque isso nos mataria.  E não ape­nas finan­ceira­mente. Isso tam­bém nos pri­varia da sabedo­ria e da exper­iên­cia das ger­ações mais vel­has. Nós val­orizamos a comu­nidade vibrante que temos, for­ma­da por várias ger­ações, e damos boas-vin­das a casais jovens, solteiros jovens e mais vel­hos, famílias mais vel­has e nin­hos vazios.

Bus­camos maneiras de alcançar essas ger­ações servin­do e viven­do jun­tos. Emb­o­ra ten­hamos alguns min­istérios que se con­cen­tram em faixas etárias especí­fi­cas, os lim­ites são suaves e envolvem out­ras ger­ações como men­tores e líderes. Não esta­mos inter­es­sa­dos ​​em sep­a­rar um grupo das out­ras partes do Cor­po de Cristo. Por que faríamos isso? Jovens da ger­ação Y são a ger­ação mais excluí­da, aban­don­a­da e neg­li­gen­ci­a­da da história. Eles estão à procu­ra de mães e pais espir­i­tu­ais, tias e tios, men­tores e mod­e­los, líderes e pas­tores. Ajude a conec­tar ess­es jovens a pes­soas de out­ras faixas etárias, e eles vão agrade­cer por isso!

 

4 – Eles estão à procu­ra de lugares para servir 

Jovens da ger­ação Y são uma ger­ação ati­va. Emb­o­ra eles geral­mente sejam vis­tos como ente­di­a­dos, preguiçosos e dis­traí­dos, a real­i­dade é que eles são uma ger­ação muito ocu­pa­da e ati­va. Des­de a mais ten­ra idade, eles foram edu­ca­dos nos val­ores do serviço comu­nitário. Eles são expe­ri­entes em tra­bal­har em equipes, e estão em bus­ca de lugares aos quais per­tencer. As igre­jas que cul­ti­vam de for­ma ati­va e estratég­i­ca maneiras de jovens servirem, encon­trarão mais jovens pelo cam­in­ho.

No local de tra­bal­ho, jovens da ger­ação Y muitas vezes são vis­tos com descon­fi­ança e até mes­mo despre­zo por cole­gas de mais idade. Na igre­ja, deve­mos faz­er o opos­to. Deve­mos acol­hê-los, aceitá-los e ajudá-los a crescer no chama­do que Deus tem para eles. Em vez de enviar a men­sagem de que eles podem sen­tar no ban­co até “crescerem”, encon­tre maneiras de envolvê-los. Dê aos jovens espaço para servir aqui e ago­ra, e eles vão lhe agrade­cer por isso!

 

5 – Eles estão deses­per­a­dos por algo maior do que eles próprios 

Jovens da ger­ação Y estão mais con­scientes das neces­si­dades que o mun­do enfrenta do que qual­quer out­ra ger­ação da história. Quer se trate de pobreza, cuida­dos com órfãos, água potáv­el, trá­fi­co humano, dívi­da do Ter­ceiro Mun­do, pre­venção de doenças ou out­ras causas mundi­ais, os jovens da ger­ação Y sabem o que há de erra­do com o mun­do. E eles querem con­sertá-lo. Claro, há algu­ma ingenuidade em suas ideias. Claro, muito do que eles ten­tam faz­er já foi ten­ta­do. Mas o entu­si­as­mo e a ener­gia deles super­am larga­mente as desvan­ta­gens.

Igre­jas que pare­cem se pre­ocu­par ape­nas com elas mes­mas, e não estão fazen­do algo pelo mun­do e pela sociedade, não falarão aos corações dos jovens. Mas igre­jas que pos­suem a men­tal­i­dade do Reino, ori­en­tadas pela Grande Comis­são, terão histórias emo­cio­nantes para con­tar, e não devem ter difi­cul­dade em se conec­tar com os jovens da ger­ação Y e suas causas. Afi­nal, o Reino de Deus é a maior “causa” da história!

 

Esta lista não é uma fór­mu­la infalív­el, de for­ma algu­ma. Nen­hum dess­es itens pode ser fal­si­fi­ca­do. Tam­pouco são ape­nas boas ideias para jovens da ger­ação Y – são boas para qual­quer ger­ação! Se nós enten­der­mos o que os jovens amam e anseiam, e colo­car­mos ess­es val­ores em práti­ca de todo o coração, vamos conec­tá-los de maneira mais efi­caz a nos­sas igre­jas.

 

Por Steve Lutz
Tradução: Matheus Cardoso